13 de abr de 2015

Inspiração

Tenho sentido essa constante necessidade de me inspirar, de me motivar. Sou eternamente grata ao fácil acesso aos vídeos através da Internet.
Então assisto essas entrevistas cativantes com diretores e produtores de filmes independentes e isso me enche de esperança.

É muito lindo e fascinante ver pessoas buscando o sentido da vida através da arte. É muito lindo ver pessoas jovens, amigas, que resolvem colocar algo no mundo. Que resolvem criar algo. Isso é mágico. ISSO É LINDO.

Muitos dos comentários dos vídeos falam sobre pretensão. É pretensioso querer encontrar beleza na vida? Encontrar harmonia estética e simbólica? Qual é o problema em querer mais do mundo? Em querer transformar caos em poesia? Extrair beleza da procura por sentido na vida...

Por que as pessoas tem tanto medo de entusiasmo? As pessoas tem medo de paixão, dessa carga energética que é colocada em cima desses projetos - projetos que os críticos de plantão consideram ambiciosos, mas são humildes E geniais - que trazem frescor.

É maravilhoso ser tocada pela paixão dos outros. Vejo essas pessoas fascinadas com o mundo em volta delas. Isso é o maior soco de esperança que uma pessoa pode me dar. Eles não estão fascinados com o dinheiro, nem com - como (infelizmente) muitas vezes o cinema é chamado - o negócio. Eles estão orgulhosos de uma criação/do resultado de uma união. Eles encontraram sentido nisso.

É pretensioso sentir?
É pretensioso gostar de algo e não ter nenhum problema ou frescura ao falar sobre sentimentos e símbolos?
Qual é o problema de mostrar empolgação?

A gente vive em um mundo muitas vezes brusco, que reprime desejos e euforia e priorizam uma atitude blasé e excessivamente crítica. Julgar, julgar, ridicularizar. As pessoas se privam de tudo.

Vamos respeitar o amor, porque ele é a nossa maior fonte de humanidade. É nele que a gente se permite a entrega, a renovação. Ele nos faz criar e sentir plenamente. Pelo resto do tempo as pessoas tentam fingir que não ligam pra nada (às vezes, realmente não ligam). Então, pelo menos quando se trata de amor - seja qual for o tipo; podendo também ser mais amplo que o amor entre duas pessoas -, vamos respeitar.

O amor invoca a verdade.

É pretensioso?
Eu acho corajoso demais.
Quero poder sempre me considerar fã. Com orgulho.

Queria agradecer às pessoas que buscam sentido e iluminam outras mentes. Artistas carregam o peso e a leveza do que é estar vivo.
Eu não conheço muitas dessas pessoas que já me fizeram bem, mas, se tivesse a chance, gostaria de agradecer por colocar positividade e prosperidade na minha vida. Elas fazem o que amam e eu sou grata a isso.

Connections in English

We need to properly address disconnection. We need to properly address and be able to talk about the underdog. The true misfits, not the cool friendly hipster version of what it is like to feel lonely.

I breathe loneliness as if there is no air around me. My lungs fill with dust and I'm completely unaware of what it is like to be part of something. I'm not even part of myself. I don't belong in my own perspective; I keep disagreeing with everything I think. I keep building these contradictions until I'm no longer respectful of my thoughts. My head turns to black and I don't get the world around me.

Why am I avoiding colors? Why am I dressing all in black lately? Why am I dreaming of living? Dreaming of having friends. Dreaming of doing things. Dreaming of talking, speaking, telling stories. Dreaming of making a difference to myself. Dreaming of meeting people and exchanging feelings.

Am I rehearsing for life?
Am I rehearsing for my rehearsal?
Am I worth it?
Am I interesting enough? Can anyone get something true from me? How long will it last? Will I serve as a fading memory?
Will I be a good memory to my future self?

I'm deeply lonely. I feel vague. I feel out of context. I guess I'm not even a teenager anymore. I don't go out. I don't get as much from the world as I'd like to. But do I really want it, if I'm making no efforts to go out and absorb life?

Will I dissolve in myself? What am I going to do with all this energy inside my body, this energy that doesn't disperse?

I keep shoving things through my eyes, but they come from screens. And I pay attention to all the details, until I'm tired of entertainment. I keep shoving life in my heart through inspirational imagery. Is it true fuel?
Is this reality? Can any image really portrait a true moment?

I think so. I think we can portrait some truths.
I think we can address to sadness in many ways, but, in the imagetic world, images need to be romanticized. Is sadness poetic enough? Why is it so dangerous to romanticize things?
Why is it that I feel so strange about living?

Is time passing by? I'm pretty sure it is, but is it passing by the way it should? I feel the disconnection in my pores. Disconnection is clogging my pores. Disconnection is in every cell of mine, ruining my complexion. Ruining my sense of self. Ruining my sense of life.

So I break down.
And I'm sorry that I do, but I need to. No, I don't want to talk to people. Not when these people won't get it or even make efforts to.
But do I listen?
Do I make efforts myself?

Is there any kind of true altruism? What is sympathy? Is it all about ourselves, after all? What about parental love? Isn't it true, though?

I want to believe in life and I want to be a part of it.
But, at the same time, I don't.
I'm writing in English so I don't have to hear these words in Portuguese inside my head. Not again.

I feel angry and then I'm sorry.
I'm probably going to be sorry I've written this.

I want to feel beautiful and connected feelings. I want to experience intensity with every cell of my body. I want to feel shivers, like strings connecting me to the world. I feel hungry for it all. I've experienced much in my head and I finally feel able to be thankful for it. But I want it all. I want it live. Real feelings, colorful, fully and deeply blossoming through the sting that my sorrow left in the tips of my fingers.



23 de jan de 2015

Fluir

Quebrada, igual uma frase interrompida. Frase curta. Movimentos bruscos. Raios que acertam casas. Braços que cortam, gestos que interrompem.

Interrompem o fluxo natural.

Porque um abraço é fluido, um beijo é fluido, um olhar carinhoso é contínuo.
O olhar da raiva corta. O olhar do fim. O desdém. A ansiedade vem em forma de frases bruscas. 

O fluido busca e tateia, sem medo de que a frase não tenha fim. Pra se permitir o tato, é preciso se permitir ser continuo e maleável, porque só assim se encontra um caminho pros sentimentos. É necessário permitir que os sentimentos caminhem pelo corpo, como se estivessem junto com o sangue, correndo dentro das veias, aumentando a pulsação. É sempre melhor ir mais devagar.

Ai, água, vem pra mim.
2015 tá aqui pra recuperar a água que eu perdi.

Eu gosto de cores, de intensidade, de amar, de sentir, de poder, de chorar.
Porque quando eu choro, significa que eu tô me curando. Cada choro é uma reação do meu corpo a minha dor. E que bom que eu posso sentir dor; isso significa que eu posso sentir. Sinto tudo muito forte e sinto tudo de uma vez só. 

E "de uma vez só" pode ser fluido. É importante encontrar suavidade dentro da nossa força. 
Ser forte e firme, mas maleável. Lidar com tudo, lidar como for possível, mas desenvolvendo sempre habilidades sociais e psicológicas que me permitam ser flexível. Quero dançar nas minhas intençōes.

15 de jan de 2015

Talvez?

Dentro de todo o meu mundo cético e exato, tudo se desestabilizou. Eu passei a acreditar que realmente existe um motivo pra tudo nessa vida.
Eu me sinto imersa em um eco sincronizado.
Talvez o mundo não seja tão simples assim.

Talvez tudo tenha mudado dentro de mim.
Célula por célula. A minha energia é outra. Tudo tá igual, mas tão diferente ao mesmo tempo.
Talvez eu tenha aprendido algo, sim.

23 de dez de 2014

Carta ao Ano de 2014

Nem Tão Querido 2014, você pode não ter sido o melhor ano, mas você foi marcante. Infelizmente, marcas nem sempre são positivas. Escrevo essa carta babaca jurando que não tinha a intenção de rimar tantas coisas. Considerando que esse ano já começou com um péssimo corte de cabelo, eu devia ter imaginado. 

2014, você me deixou na esquina da rua, com as mãos na cara, esperando a chuva que nunca chega. Blefou, riu de mim, se entregou, se dissipou. Me ameaçou. Você escorregou como se fosse feito de gelo, mas a gente sabe que você foi um ano terroso. A areia, seca, incômoda, que coça e se espalha nos sapatos.

Se tivesse como, eu correria até não aguentar mais. 2014, você foi doloroso, você não teve escrúpulos. Você esfregou poeira na minha cara e traçou limites. Recortou estrelas da minha constelação (dramático, eu sei). Me fez olhar pro meu mundo lá do outro lado. Me deixou sozinha, gelada, magra, quieta no canto da introversão. Você tirou tanto de mim e, em troca, pôs um celular na minha mão.
Você me acordou no meio da noite e me fez chorar dormindo. É todo um outro nível de calafrios. Me fez gritar acordada, gritar calada, me fez engolir o ar que eu respiro sem hesitar. O que você quis? Pera, eu não quero te fazer nenhuma pergunta, Ano Irritante.

Eu perguntei coisa demais esse ano.

2014, você foi rápido e lento. Você riu de mim pra se provar. É uma pena que isso não tenha me ensinado tanto sobre decisões. Você pode ter machucado meu coração, 2014, mas eu ainda sigo meus instintos. Você fez farelo das minhas emoções, que pairam em cima da minha cabeça como uma nuvem inflada e escrota que quer chover. Ano, você lançou raios e barulhos de trovão pra simular a tempestade que nunca veio. Mas acho que foi conveniente me assistir desesperada esperando, prezado Ano de Número Par.

Nem Tão Querido 2014, eu tenho que te agradecer. Pela barriga roncando, pelas lágrimas frias, pela cama vazia. Se 2014 fosse um mercado, ele estaria lucrando muito em cima da minha língua. Obrigada por ter me mostrado que eu sou mais forte do que eu pensava.

Então eu puxei. Como se fosse um aspirador de pó, puxei toda a força. Eu puxei uma corda áspera que machuca a minha mão. Fiz um esforço tão grande, que até perdi o fôlego. Fui sem fôlego. Continuei, mesmo que sem ar. Fui sem respirar. Fui sem nada nos bolsos. Algumas fotos foram retiradas do meu mural. Algumas cartas foram escondidas em uma caixinha. Algum amor foi. Só foi. Não se foi, não quero dizer que foi embora. Foi. Uma constatação: existiu. Pretérito imposto por circunstâncias.

Eu perdi um amor. Amor que vivia na realidade e tinha termômetro de intensidade.  Mas eu sei algumas coisas: um mês não é uma eternidade. Amor requer intimidade. Intimidade requer que a gente conheça o que é estranho, o que é ruim, as bizarrices. Não tô falando das bizarrices fofinhas. Tô falando das coisas mais sombrias. Das escrotices. Intimidade é saber o que significam os espaços entre as falas. Olho no olho. Fragilidade. Troca de energia e troca de vida. A vida é uma filha da puta, ela é um combo. Pra viver, a gente tem que acolher imperfeições; a vida tá nos erros também.

Um teclado só é tão expressivo quanto um teclado pode ser. Por trás de telas, existe um esconderijo facilitador que oferece conforto. É um simulador. Paixão é fácil, é agradável. Distorce as cores e as imagens do retrovisor. É bom, é simples, é eufórico. Paixão não é amor. Paixão se queima e vira cinzas a partir das mesmas chamas que um dia foram combustíveis.

2014, você se parece com aqueles pais religiosos que curtem uma lição de moral no fim do dia. Você não foi gentil e, mesmo quando já tinha me prometido que pararia, me machucou até os últimos dias do seu calendário. Como se as três amigdalites com as quais você tinha me presenteado não fossem suficientes. Os olhos que eu conhecia tanto passaram a olhar através de mim. Nunca tinha visto esses olhos assim, eles me olhavam com carinho antes. Agora eles me lembram uma estrada, uma estrada distante.

Aninho (acho que já posso te chamar de aninho agora), você foi o sanduíche de atum no banco do shopping. Você foi um estudo minutos antes da prova, você foi camadas e mais camadas de rímel nos cílios inferiores. Cuspiu no vento. Você veio com trancinhas. Você veio de ônibus. Você escolheu Cinema. 

Um abraço frouxo. Uma despedida. Um silêncio caótico. Esses doze meses foram tão estranhos, que até me esqueci de comer leite condensado. Esse é um problema real.

Vivi coisas positivas também. Saí, aproveitei minha própria companhia. Sem você, 2014, eu não saberia de muita coisa. Não saberia que ir ao cinema sozinha é ótimo, por exemplo. Caro Ano Infeliz, nem tudo que veio com o vento escapou por completo. A sensação de estar intocada tentou se compensar com Frutilly. No final, você se mostrou um ano estranho; parece que abriu brechas pra que eu respirasse rapidinho antes da próxima bomba.

Tive coragem, pelo menos. Acho que isso eu posso dizer. Tomei algumas iniciativas. Tentei mudar o que me incomodava. Até cogitei parar de culpar datas e anos. É chato culpar convenções de tempo por coisas tão imensuráveis quanto sentimentos. Mas não rola. 2014, você vai ser culpado, sim. Você é uma desculpa. Ô ano, hein!

A gente vive assim, a gente vive procurando erros e acertos e pontuando culpa e densidade. Podemos dizer que filmes tem começo, meio e fim. (Alguns nem tanto, mas Inception é propriedade do seu colega, o 2010, então não vou entrar nisso.) São certezas, é bem óbvio. Mas a gente assiste mesmo assim, pra sentir alguma coisa. Pra rir, pra chorar, pra se agoniar. E isso por si só já é válido. A gente sabe que a vida acaba em algum momento, mas não deixa de viver por causa disso. No fim, guardo memórias e as guardo com consideração e amor. No fim, preciso agradecer. E me despedir desse período, dessa fase, desse vendaval.

No fundo, tô aprendendo a me abraçar. Eu me seguro com os dois braços e dou um laço em volta do meu próprio corpo. É confortante. É um barulhinho de chuva que vem de um aplicativo, um edredom novo, um computador desligado. É o ar da minha rua. É um copo de Coca Cola na cabeceira. Sozinha, eu vou me achando. Sozinha, vou me dando o que eu preciso me dar. 

Das porradas, uma certeza resta: tudo nessa vida muda.

Beijos. Vai em paz. Ano de merda.

8 de mar de 2014

Nuances

Há dois dias atrás, eu somei mais um ano de existência dentro de um repertório instável de anos contrastantes.

Não sei direito como as coisas foram se desenrolando tão rápido, tudo voando, gritando, passando. Fui assumindo uns compromissos novos pra combater minha tristeza e minha vida mudou. 
Não acredito em "felicidade"; acho tudo isso muito subjetivo. Acredito na possibilidade de encontrar um ritmo, de explorar novos territórios, de assumir novos papéis para alcançar uma constância.

Constante nem sempre é sólido, nem sempre é confortável. Muitas vezes é confortável demais. Mas uma vida que tem um certo grau de repetição é positiva também. Porque a arte é feita de repetições e o mundo se movimenta e se alimenta disso. 
Posso andar pelas mesmas ruas todos os dias e ter a certeza de que todo dia é uma experiência nova. É uma chance de me prolongar e observar. Chance de esticar, paralisar e ao mesmo tempo movimentar. Por isso, eu continuo. 
Por isso, escolho acordar no dia seguinte. Porque se tem uma coisa que eu aprendi, é que a gente escolhe viver todo dia; a gente escolhe acordar. Todo mundo sabe como desligar.

Quem sempre procura muito por um tipo de preenchimento pras próprias expectativas tem que assumir as consequências. Às vezes é mais difícil ser livre se entregando ao vento. Às vezes é necessário colocar os pés no chão e se alimentar de terra. 
Me alimentando de terra eu pude desenvolver empatia. Pude sair da velha posição de vítima da vida e assumir controle de muitas situações.

As pessoas se alimentam de drogas ilícitas e, sobretudo, de drogas prescritas direto do consultório. Tudo é subterfúgio, até que se torna sólido e real. Até que os limites se confundem e tudo se torna uma coisa só.
Não adianta forçar a barra, porque, por mais que as pessoas fujam, um dia, de alguma forma, elas se encontram.

Eu quis gritar instabilidade, eu quis provar, eu quis! Pena que passei muito mal na fila da montanha-russa. Vomitei pra caralho. Mas eu comprei meu ticket, optei pelas quedas (e ocasionais subidas) da atração; me dopei de vida e aprendi que nem tudo é preto e branco. Tudo que pra mim era 8 ou 80 foi colocado em jogo, então hoje eu enxergo minhas batalhas, e não apenas os obstáculos. Eu procuro milhares de camadas além da superfície, pra que as nuances me mostrem, todo dia, que eu fiz a escolha correta. 

Eu escolhi ser. 
Jurei nunca mais me forçar a fazer algo que eu não queira, quando eu tenho a possibilidade de escolher. 





2 de jan de 2013

Vulnerabilidade e Criações

Ano passado eu fiz um post sobre o Réveillon.
Hoje, tomando muito paracetamol e tossindo bastante, quero apenas escrever qualquer coisa.
Dizem que o amor leva a gente pra frente, não importa qual rumo ele tome. Dizem que com o amor só se aprende. Dizem que o amor mais valioso que temos é amor por nós mesmos.

Toda experiência é uma experiência.

Eu aprendi a valorizar a prática, a repetição, o espaço e o processo criativo. Passei anos da minha vida procurando por mim, quando eu sempre estive aqui. Tudo que criei, tudo que pensei ser e assim fui, tudo isso sou eu. Tudo isso fui eu. Hank Green disse que não existe algo como "seja você mesmo". Você é suas vitórias tanto quanto você é suas perdas.

Me disseram "só queria poder tirar seus problemas de você". Os meus problemas são profundamente meus. Eles podem não fazer parte de uma definição minha, mas suas consequências e a forma que lido com eles podem dizer muito a meu respeito. As pessoas têm essa mania infeliz de só parabenizar e reconhecer as outras em momentos de conquistas. Meio tempo, há essa ausência de vida, essa negligência da parte dos outros que faz com que as pessoas se sintam abandonadas. A questão é que só a gente pode trazer vida para esses momentos e o melhor apoio é a base que a autoestima pode nos proporcionar. Não sou eu sem os meus problemas.

Eu sou uma construção. Uma velhinha de 78 anos é uma construção. A vida é uma constante renovação de sentimentos e memórias dentro de nós mesmos. A gente passa uma vida inteira dentro da nossa cabeça e o restante é uma questão de nossa própria percepção.

O processo perceptivo é vulnerável.
O processo criativo abraça o medo na raiz.

Todo mundo é vulnerável, mas nem sempre frágil.
As pessoas vivem falando de sorrisos: "Não importa o que aconteça, não esqueça de sorrir". O que me cativa nas pessoas não é a máscara que elas usam. Eu não quero sorrisos falsos. Acho muito mais interessante alguém que se permite chorar. Alguém que admite seus sentimentos para si mesmo em primeiro lugar. Risinhos sociáveis em horas sociais com muita graça - hihi hehe huhu - não me dizem muito. Eu gosto de ver a paixão, a ambição, o interesse genuíno das pessoas. Acho que é por isso que o lado """(abre muitas aspas) social (fecha muitas aspas)""" me dá um pouco de preguiça.

Ainda tem gente que acha que sorriso é sinônimo de força. Que resistir aos próprios impulsos emocionais é sinal de superioridade.

Emoção é emoção. "Dor requer ser sentida.". O controle é temporário.
Pra mim, a vulnerabilidade é muito mais bonita que essa necessidade constante de mostrar falsa felicidade que muitos possuem. Pelo menos a vulnerabilidade é verdadeira.

Não me apego ao diagnóstico, mas sim aos sintomas. Eu vivo os sintomas; o diagnóstico é apenas um rótulo. É claro que alguém que se procura quer se achar em qualquer rótulo. É claro que alguém que se procura quer poder se comparar às experiências dos demais, que por sua vez procuram as mesmas coisas.

Que essas comparações sejam evitadas em 2013 e que a procura seja intensa dentro das minhas novas construções. Dentro do que eu me possibilitar, dentro do que eu sonhar para mim. Que a construção seja positiva e abrace o medo onde ele pode ser abraçado.
2012 foi um ano de muitas descobertas. Agora vou catar o que eu plantei.





19 de set de 2012

Kreuzberg

A sensação de segurar lágrimas deveria ter um nome próprio e deveria ser considerada um sentimento. Mas eu choro na sua frente. Eu sei que posso chorar na sua frente.

Your kiss, it could put creases in the rain.
Be cruel to me, 'cause I'm a fool for you.

Siqueira Campos

Talvez eu tenha me perdido em Copacabana às 17h. Talvez eu nem leia placas. Às vezes eu acho que minhas palavras são facas e cortam limites impulsivos, com batimento cardíaco acelerado, TPM e uma puta dor de cabeça que parece nunca me deixar. Eu nunca deixei de procurar por adrenalina. Vivo desses impulsos nervosos que sustentam meu dia. Talvez não tenha me perdido em Copacabana. Talvez só esteja andando por aí. Não leio placas, mas hoje em dia eu até leio bulas. Quero saber com o que exatamente estou me intoxicando. Quase nunca leio placas, mas posso tentar ler pessoas. Eu sinto o peso da escuridão das 4h da manhã cair sobre os meus ombros e finjo que tô nem aí. Minha cama não foi bem feita pra dormir e meu estômago não foi feito pra sustentar minha ansiedade. Às vezes eu olho pra trás e enxergo outra realidade. Distorcer é mais fácil que aceitar. É muito difícil socar almofadas mentalmente. Olhar pro espelho é diferente de se olhar no espelho. Eu vejo outra pessoa. Isso me assusta. Isso me alivia. Seja lá quem essa pessoa for, eu me sinto viva. Plenamente viva. Mesmo que por alguns instantes. Mesmo que por alguns momentos. Plenitude dentro da imprevisibilidade.

1 de jan de 2012

Réveillon

Sem saco pra gente "pé no chão".
Tem coisa mais chata do que gente que se acha realista demais?

2012.

Quero dizer que eu esperava grandes resoluções na hora dos fogos. Resoluções mentais. Expectativas. Mas eu nem me toquei... Na hora dos fogos eu chorei, desliguei, lembrei de algumas coisas de 2011* de uma forma pesada, meio que numa tentativa de retrospectiva/limpeza de pensamentos ruins de uma forma nostálgica. Aí comecei a fazer a retrospectiva boa no meio. Automaticamente as coisas boas começaram a pipocar, coisinhas agradáveis desse fim de ano e eu comentei algo do tipo "Tchau melhor pior ano."

Eu gostei de 2011. Valeu a pena.

Fiquei feliz por não ter feito quase nenhuma resolução. Expectativas fodem com tudo mesmo... Eu fiz umas 2 ou 3 automáticas que eu peço desde 2008 e nunca divido com ninguém, nem vou dividir. Não é paz, não é dinheiro, não é conforto, não é amor. Aí eu comecei a chorar mais ainda. Não pedi nada pro meu futuro. Só reparei isso agora e fiquei até assustada. Cheguei a pensar MUITO BREVEMENTE no lance de "caralho, estudos", mas na hora caguei. Não penso no detalhe, eu penso no sentimento também. Mas eu sei que evito pensar nisso por medo do que vem pela frente.

Cantei Champagne Supernova baixinho. Não é a mesma coisa que nos outros anos, a sensação. A sensação de amizade insuperável e eterna e infinita. Aí eu chorei (e isso vai estar no asterisco). Aliás, eu fiz isso logo na hora que lançaram os fogos.

*Chegou a hora do asterisco.
Coisas que se passaram na minha cabeça como um filme:
- Ao cantar Champagne Supernova, eu lembrei da Camila. Meio do ano. Lembrei do telefonema que ela disse que não me amava mais. Lembrei do forte de cobertores que eu montei sozinha depois disso. Lembrei que essa era a época que eu passei muito mal com anti-depressivos. (Aí eu já tava chorando um balde) Lembrei de Bon Iver. Fui pra trás. Aí lembrei de pessoas. Lembrei do todomundoaquiemcasajunto vumpft, distâncias. "Passou. Foi." Aí fui pra frente e comecei a ficar estranha, mas de um jeito bom (?). Alaska. Minhas madrugadas, minha cama, minha solidão. Tudo passava em um filme rápido na minha cabeça, e aí eu comecei a ficar feliz. As noites com uma lâmpada amarela de leitura, a mesma época merda que eu me senti sozinha, eu comecei a saber lidar com isso. Fui pras descobertas na internet com a nerdfighteria. Fui pros ônibus que eu peguei. Teatro. AHHHH, o Teatro. As pessoas maravilhosas do Teatro, o Polis, a nossa peça!
Pronto. Minha retrospectiva sem expectativas.
Porque todos os vazios que eu ia me lembrar no começo de repente... pff. Eu sei direitinho todas as merdas desse ano, mas tá tudo divertido agora e é isso aí.

Agora... algumas pequenas expectativas talvez (?)
- Postar as paradas no Youtube for realzzzz, os vlogzinzzzz
- Aprender a editar vídeos
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
- OK
- Sério
- Estudar
-
-
-
-
-
-

TANTO FAZ!
Tanto faz. Resoluções são estúpidas.

31 de out de 2011

Foi só impressão.

25 de out de 2011

Nightdrive With You.

Sentei no chão, encostando a cabeça no banco cinzento da pracinha. Abaixei o cano das minhas meias e limpei o suor da minha testa com a manga do meu suéter. Quis um cigarro, mas não fumo. Quis um abraço, então tirei o iPod do bolso.
De repente, o Outono veio em mim como pedaços de vocês. Vocês que nunca souberam dar valor.
Esse texto é pra vocês.
Esse texto é pra mim.
Quis chorar, mas os motivos não me pareciam suficientes. Então tudo que eu queria fazer era ver você. Seja lá quem for você. Ou andar rápido pelas ruas sentindo o vento bater pelo meu rosto. Como se o resto do mundo estivesse em câmera lenta. Como se o resto do mundo não importasse agora.
Movimentos repetitivos na minha mente. Compulsão. Teclas do computador. Teclas de um piano. Notas de uma música. Tudo me remete aos cacos de memórias que eu não sei nem a quem pertence mais. Essas memórias são reais? Esse é o meu passado?

Eu realmente já fui sua amiga? E essa foto? Sou eu nela mesmo? Esse quarto?
Nada parece meu. A menininha insegura fui eu. Mas hoje... Hoje é outro dia.
E hoje nada parece me incomodar. Hoje meu mau humor é culpa do sol.


Música: Nightdrive With You - Anoraak (Fear of Tigers Remix)

12 de set de 2011

My Never (2010)

“That doesn’t happen to me, I’ve never been here before. I saw forever in my never.”

Nunca jamais pareceu algo tão perto. Nunca jamais foi uma possibilidade considerável, até agora. Nunca também é pra sempre, pra sempre a ausência. Olhar pra frente e ver a ausência de qualquer coisa. Saber que você não terá mais aquilo, ou que simplesmente algo não acontecerá de jeito nenhum. Saber que a falta disso tem uma duração infinita. Olhar pra frente e ver “nunca” faz com que tudo envolta perca um pouco do sentido.

It’s never my luck, so never mind. I’ve lost a lot of what I don’t expect to ever return.

Smoke and Mirrors (2009)

Ele olhou pela janela, e tudo que viu poderia ser visto em um espelho. Mas ele sabe. Ele sabe que o mundo não pode ser visto pelo espelho, que o ego dele tá ferido e sabe o que ele não quer. E é o bastante.

Ele olha pro lado e não tem ninguém. Mas ele sabe que isso é uma decisão dele, e volta logo a olhar pro espelho. Estranho como ele gosta de olhar pra ele mesmo enquanto ele pensa na própria vida. Olha cada expressão dramática que tem no seu rosto, olha pras próprias olheiras causadas por desgaste emocional, olha pra sua cara abatida e sente pena de si mesmo. Ele é a vítima. Ele sabe que é o bastante e volta à sua rotina, com seus sorrisos de plástico e suas mentirinhas brancas pra levar o dia.

Ela olha pra ele, ela se vê naquele drama todo. Ele não a vê, ela se encontra bem longe do espelho pra que ele possa fazê-lo. Ela é a imagem dele disfarçada de educação e consideração. De tanta consideração, ela é invisível, intocável, colocada em um pedestal onde ela não quer estar.

Ao passar do tempo, ela se aproxima do espelho, e lá está ela, no topo do pedestal, em segundo plano. E lá está ele, pronto pra continuar olhando pra frente, pensando em olhar pra trás.

Ela não sabe amar.
Muito menos ele.
Mas eles amam compartilhar o espelho, e isso é tudo.

29 de mai de 2011

~Butterflies

Acredito que muitas vezes, alguém pode se tornar radical por algumas decepções, e não, não estou falando (somente) de decepções amorosas ou familiares. Um pseudo radicalismo conveniente que parece fortalecer, mas só enfraquece. Eu sou assim. Me tornei extremista por impulso cultivado com ansiedade.

Às vezes eu queria não ter que calcular tanto as minhas ações e poder simplesmente fazer o que eu quero. Já fui assim, mas acho que hoje em dia já sou mais forte que o nível de inconsequência que existe dentro da minha impulsividade.

Pisar em ovos é sempre tão ruim, porque te prende de uma forma tão forte ao chão e não te deixa escapar ou, ao menos, tentar escapar. Às vezes, eu fico com a constante impressão de que tô escapando pelas minhas próprias mãos, fugindo e tentando me libertar de uma sede que se veste de medo do que eu mais sinto necessidade. Mudar. Às vezes, não é nem fuga, é a simples sensação de me desacorrentar.

Eu são tão idiota. Eu faço muitas coisas de forma errada. Eu simplesmente tenho muito medo de magoar as pessoas e um medo maior ainda do medo em si. Sabe gente pé no chão? Então, eu sou quase o oposto. Não que eu não seja realista ou consciente, mas eu tenho uma mente muito inconstante, confusa, que não consegue parar de buscar, buscar, buscar... Acho que tudo que sempre procuro sentir são frios na barriga.

1 de mai de 2011

All Good Things Come to an End

Travelling, I only stop at exits
Wondering if I'll stay young and restless
Living this way, I stress less
I want to pull away when the dream dies
The pain sets in and I don't cry
I only feel gravity and I wonder why.

29 de abr de 2011

"I don't need anybody in my life who doesn't wanna be there."
Amizade não é um favor, mas é uma opção. Se você não quer estar nisso com uma pessoa, simplesmente faça a sua escolha, ao invés de simplesmente aceitar qualquer tipo de distância.
Não quero mais ter que implorar nada pra ninguém, muito menos uma coisa que é pra ser tão verdadeira e recíproca. Sinto muito. Muito mesmo. Porque eu saí perdendo dessa, eu perdi algo muito precioso pra mim, de verdade.

Muitas vezes, a gente acorda sempre com uma certeza enorme de que a gente possui certos sentimentos e que esses não vão mudar. Realmente, parando para pensar, você mal pode ficar segura quanto aos próprios sentimentos, quem dirá esperar que os da outra pessoa por você não mude.
Você fez uma diferença enorme na minha vida. Eu sinceramente só me sinto mal por não ter feito nada na sua. Eu guardo comigo cada momento que nós passamos, cada coisinha. Eu vou estar sempre de braços abertos, esperando você voltar. Nós já ficamos sem se falar por seis meses, acredito que sobrevivemos até bem. Não tão bem quanto quando estávamos unidas, mas sobrevivemos. Eu vou estar sempre aqui, não importa o quê. Take your time.

19 de mar de 2011

Sinto falta de você.
Sinto falta de:
Shamaylla;
Falar as mesmas coisas ao mesmo tempo;
Rir e cair das cadeiras da mesa da sala rindo;
Criar piadas internas e prolongá-las por meses;
ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZuniok, o menino único;
Maurosa, a bicha pintosa (Mauritânia);
Perguntar coisas pra Saysson e pra Maryanimal;
Comer bala juquinha com você;
Debochar de metade do mundo com você;
Você me ensinar alguma matéria;
Segurar você quando eu tô com medo;
Dormir às 6 da manhã;
Tentar te maquiar;
Tirar fotos na garagem;
Almoçar contigo na rua, na Batata Inglesa antes do meu Inglês;
Ligar pra você chorando;
Criar certos emoticons e wallpapers;
Falar tiopês;
Botar o dedo dentro do seu nariz pra te sacanear;
Sociais aqui em casa;
Comer torradas com patês quando está chovendo;
Andar pelo Largo do Machado após uma prova;
Dançar na chuva;
Ir à praia à noite;
Decorar meu quarto com você;
Pegar integrações pra barra;
Andar de ônibus com você;
Falar com aquela voz escrota;
Imitar ~Aquela Que Tem Suas Amigas~;
Silêncios que não são awkward;
Sentar na "pracinha" aqui da rua e conversar, etc.




Outro dia abri a geladeira e a garrafa de matte tava cheia... Bom, é isso.

Save Your Sympathy

Faltam 6 minutos para as quatro da manhã. Meus pensamentos desconexos me guiam para um patamar de intensidade que, dessa vez, já não me traz mais plenitude. Não posso passar minha vida ouvindo o tic do relógio ou observando outros tentarem impor uma imagem embaçada do que eu realmente sinto, do que eu realmente sou, do que eu realmente vivo.

Faz muito tempo que eu não escrevo. Faz pouco tempo que sinto uma inconstância de posicionamento da minha parte, observo minha impulsividade tomar inesperados caminhos, sinto minha ansiedade pulsar no meu sangue assim como minha sede por felicidade.

Você já pisou em ovos? Já temeu ter medo? Já sentiu que sua relação com uma das pessoas mais importantes da sua vida mudou? E quando você não consegue nem explicar de onde tudo isso vem? Já se sentiu distante toda uma realidade confortável que você batalhou pra conseguir?

Não preciso de pena. Não preciso de compaixão, muito menos de conselhos. Eu só preciso de um abraço verdadeiro sem tapinha nas costas e de um sorriso sem lágrimas nos olhos. Algo que dure mais do que cinco segundos.

Nem todo amor é só amor. Não se concorda com tudo que se compreende. Não existem nomes para todas as sensações, mas eu queria muito um nome novo pro que eu tô sentindo, pra poder tratar isso com um pouco mais de intimidade.

26 de fev de 2011

If I could be the chains, I'd fall from you and let you fly like an angel.
If I could be your pain, I'd run from you so far away.

25 de fev de 2011

Grayscale

Gosto das buzinas e das luzes vermelhas se confundindo com os meus pensamentos. Dias cinzentos têm sua beleza, quando o mesmo tom do céu se confunde com o da Lagoa, enquanto o mundo passa rápido aos meus olhos da janela do carro.

Ouço a chuva bater forte no vidro e essa é a única certeza que eu posso ter agora, a certeza de que todo evento é constituído por pequenos momentos, sendo que a maioria deles não serão lembrados por serem absolutamente desprezíveis. É bom conhecer o desprezo. É bom olhar pra cima e ver a ausência de sol que já não arde nos meus olhos. É bom não sentir meu corpo derretendo a cada batimento acelerado.

Depois de eventos marcantes, depois do ápice, o que acontece? A gente segue em frente. Não triste, nem feliz, mas em um outro estado sem nome, que esboça um futuro desconhecido, muito esperado e talvez um pouco temido. É bom desprezar. Desprezar o atrito, desprezar a resistência do ar, desprezar tudo que possa passar pela cabeça nesse momento. Tudo considerável aqui se resume a condições climáticas e a música tocando no fundo, mais nada. Nada mais importa.

Entre 8 e 80, parei em 44. Nada de risos efusivos agora, nada de lágrimas que queimam. Nada de calafrios, nada de dormir a tarde inteira, nada de chorar de alegria. Só olho pela janela e essa é a única coisa que quero/posso fazer no momento.
Amar, pra mim, pode assumir concretizações assustadoras e intensas. Não tenho medo de amar. Só tenho medo das consequências dessa concretização toda. Não me sinto, hoje em dia, tão confortável com a ideia de resumir pessoas em uma palavra só. Especialmente se essa palavra for tudo. Ou quase tudo.

30 de dez de 2010

Sympathy for the Devil

Chove bastante agora, mas eu sei que daqui a pouquinho vai parar. Chuva de verão é tão previsível... Só não é mais previsível que eu quando tô ansiosa. Quando eu fico ansiosa, eu ataco todas as balas juquinhas do mundo. Aliás, se tem duas coisas que aprendi que são saudáveis são: comer plástico de bala juquinha de vez em quando e chorar de saudades pelo tempo, a dimensão escrota. Ah, é... quase ia me esquecendo: cantar quando se sente dor é genial. Tanto dor física, quanto ~dor no coração~. É estranho colocar isso aqui no meio, mas pessoas de cílios grandes são 98% das vezes confiáveis, aliás, isso é uma teoria minha. Tenho algumas outras, mas são tão estúpidas quanto, então prefiro não citá-las. Whatsoever, nunca confie em néim noob. Todavia, néins noobs são engraçados, é bom entrar no profile deles e zoá-los até cansar. Percebam como eu esperei a oportunidade para usar o "todavia". Às vezes não espero uma oportunidade certa pra falar certas coisas, aliás, eu não acredito em momentos certos. Acredito em momentos quaisquer com potencial para serem interrompidos por uma bomba. No desespero, já acreditei em destino, mas não tenho nenhuma religião; não acredito em Deus. Podem começar a revirar os olhos agora. Olhos... Sempre quando eu falo em olhos, lembro da Camila, minha melhor amiga. Ela é dessas que encara os olhos das pessoas e depois comenta o que achou, se tem pontinhos ou não, etc. Enfim, coisas de Camila, also known as Puat. Falando em apelidos, eu tive uns 14 apelidos diferentes. A maioria deles... bom, a maioria era idiota, óbvio, apelido por si só é uma coisa meio idiota, algumas vezes bonitinha, mas enfim... Ninguém me chama de Bru, isso até me intriga um pouco, porque seria o apelido mais comum. Mas ao invés disso já fui apelidada de Kurt! Kurt de Kurt Cobain. A música do Kurt era legal, aliás, é legal, eu escuto um pouco de Nirvana, mas as minhas bandas preferidas são The Academy Is... e Smashing Pumpkins, eu acho. É, tem reticências no nome da banda. Não uso muitas reticências ao escrever, pois acho que pontos finais têm mais impacto e é disso que eu gosto. Acho um ABSURDO gente que usa apóstrofe para marcar plural em inglês, assim como morro ao ver gente usa "awkward" como se fosse "weird". Deu pra perceber aqui minha adoração pelo inglês. Aliás, deu pra perceber aqui um bando de coisas. Acho que esse é o fim então, né?


Prazer, meu nome é Bruna Uller, tenho quase 17 anos.

27 de dez de 2010

11:11 AM

Novos começos trazem novos medos. O medo faz com que as coisas andem, se mexam. O medo acaba com a inércia.

É estranho como em menos de um mês a gente pode mudar muito, mesmo sem perceber. Mudei as coisas mais fúteis: mudei minha colcha, meu cabelo, meu modo de escrever, o foco das minhas reclamações, o seriado que eu assistia.
Mudei as coisas mais estranhas dentro de mim também, coisas que nem sei se tô pronta pra compartilhar. Uma dessas foi aprender a me respeitar.

Agora, quando olho pro relógio e são 11h11min, chego a ter dúvida do que desejar, mas sei com toda certeza do mundo que não é a mesma coisa que antes eu pedia com tanta vontade.
Agora, antes de dormir, tudo que eu penso é em acordar.

Tomorrow's just an excuse away, so I pull my collar up and face the cold on my own.

6 de dez de 2010

Coffeeshop Soundtrack

Ela fuma todo o maço de cigarros em menos de uma hora e diz não acreditar em amor. Mesmo com toda aquela autoconfiança, algo por trás das três camadas de rímel mal aplicadas me dizia algo a mais, talvez uma contradição. Percebia ali um olhar vazio e desmotivado, que no fundo gritava muito mais do que qualquer roupa que ela usava, berrava algo por trás daquela sua típica agressividade, e dizia que ela acreditava em muito mais do que ela se permitia apalpar.

Ela sou eu. Ela toma conta de mim. Meu alterego, meu lado menos conhecido.

Eu saí em busca de sorrisos para tampar minhas necessidades por respostas. Cautelosamente me guardei para minhas decepções, dizendo que o mundo é uma merda. Debaixo dessa farsa, bate um coração meio quebrado e arranhado, colado com fita durex. Fita durex daquelas vagabundas que soltam de vez em quando. A solidão sempre fora minha companhia mais nostálgica.

Sentada em um balanço de um parque, olhando para o céu cinzento, tenho a certeza de que o mundo, ao contrário do que digo, é muito mais do que aparenta ser, porém só pode ser admirado por mim quando olhado de outra forma, com efeitos visuais e uma saturação diferente de cores. De outra forma, onde o amor existe para mim e onde a simples compaixão sozinha é deixada de lado, pois ela por si só não se passa de pena com sentimento de frustração.

"I can keep a secret if you can keep me guessing. The flavor of your lips is enough to keep pressing for more than just a moment of truth between the lies told to pull ourselves away from the lives we leave back home..."

Largo minha máscara aqui. Talvez eu acredite em amor, sim. Não como eu acreditara uma vez. Mas todo dia quando acordo, abro as janelas em procura de algo a mais. Eu quero algo a mais.

4 de dez de 2010

Rejeição Confusa. Depósitos Incertos.

"Às vezes a gente agarra algo com tanta força, que esse algo escorrega pelas nossas mãos." Lembro-me de já ter citado essa frase aqui, não citá-la seria um absurdo, considerando que é a frase da minha vida. Eu tento me agarrar, me envolver, não me controlar, abraçar o mundo com as pernas, me entregar 100% em tudo que eu faço, mas nem sempre dá certo. Quase nunca dá certo.

Amo muito tudo, mas amo poucas pessoas. Amo não estar sozinha, amo idealismos, amo coisas que não existem. Muitas vezes, não sei onde tacar todos os meus sentimentos que tomam conta de mim de forma intensa, nada sutil. Nada é sutil na minha vida. Tudo é 80, nunca 8. Geralmente, aplico todo o meu amor, todo o meu carinho e toda a minha melancolia (porque em algum ponto eu tenho que admitir, tenho tendências melancólicas) nos lugares errados nas horas erradas.

Dou mais importância a relacionamentos do que eu realmente deveria dar. Quando se trata de amizade, sou sempre eu correndo atrás com medo de perder o que importa para mim. Mas não quero mudar isso em mim, pelo menos, não sinto essa necessidade agora. Sensibilidade extrema se encontra em cada célula do meu corpo e só eu sei como isso me atrapalha. Whatsoever, sinto uma constante necessidade de tomar decisões drásticas.

Já beijei lembranças de dias ruins que se tornaram os melhores dias da minha vida em um piscar de olhos. Já beijei alguém bom o suficiente. Já beijei sem vontade momentos de desconforto interno e de rejeição confusa. Incerta quanto ao que eu quero, deposito um olhar atento ao que tanto me subestima e me valoriza ao mesmo tempo.

Hipocrisia crua... Por que és um objeto de curiosidade quando tanto te rejeito? Quero me sentir inteira, quero conhecer alguém, quero fugir daqui pra outra cidade por um dia, e, nesse dia, nunca olhar para trás.

26 de out de 2010

Perdas

Estava prestes a assistir um filme no arteplex, quando resolvi entrar na livraria para matar o tempo. Entre alguns livros aqui e ali que me chamaram a atenção, avistei um livrinho de capa verde, intitulado de “Como Esquecer”. Como de costume, resolvi primeiro ler a orelha deste, e depois ler sua primeira frase para ver se de fato me parece algo interessante.

“A perda não é uma ausência. A perda é um mar brutal constantemente vivo, e exige forças muito além do que posso prometer.”

Essa foi a primeira frase que li. De alguma forma, essa penetrou em mim rápido. Fiquei parada e o velho e constrangedor silêncio me tomou como sempre. O silêncio constrangedor.

O silêncio?

Última cadeira da quinta fileira. Ruas lotadas. Mesas de jantar. Pista de dança. Arteplex.

Simplesmente desconectei. Pouco me importa se eu pareço uma estátua olhando pra frente encarando o ar. O lugar se esvazia e só tem eu ali. Eu e meus pensamentos.
Essa sensação se repete sempre. A sensação da solidão, um vazio rápido que vem e passa. Tudo está bem, eu estou bem. Estou feliz, mas algo me incomoda volta e meia e eu não gosto de definir esse algo.

Bom... Talvez seja estranho demais, mas eu fico irritadinha quando me perguntam sobre pessoas com as quais eu nunca mais falei. I mean, que nunca mais falaram comigo nem me procuraram faz um ano. Eu sinceramente fico irritada, e isso chega a ser um pouquinho difícil de admitir, até.

Acontece que eu não me importo de falar sobre essas pessoas, nem de fazer uma descrição detalhada delas, porém me incomodo bastante quando me perguntam a coisa mais simples do mundo: “como fulaninho (a) está?”

ESTÁ. Presente do Indicativo, terceira pessoa do singular. “Não sei. Não quero saber.” Ou não. Ou eu gostaria um pouquinho de saber. Preocupei-me com essas pessoas antes, confiei nessas pessoas. Em troca eu ganho uns momentos awkward de silêncio toda vez que me lembro delas. Ou reações ridículas quando me fazem perguntas sobre elas.

Confesso que não sinto falta dos meus ex-amigos. Os dois mais “importantes” se mostraram insignificantes (não vou mentir) com o passar do tempo. Tudo que me resta são fotografias, uma cartinha e um brinquedinho. Coisas físicas.
Na verdade, deveriam restar palavras, valores, sentimentos, mas isso é pedir demais de pessoas que parecem ter, como a Camila falou, se congelado no tempo.

Contudo, sinto um estranho tipo de interesse. Nenhum interesse em como seria a minha vida com essas pessoas a minha volta, porque eu prefiro as coisas como são hoje. O interesse de que eu falo se resume simplesmente em como eles estão. Se estão bem, se tudo está dando certo para eles, se eles estão realmente correndo atrás do que eles realmente querem. Esse tipo de coisa.

“Como Esquecer?”

Não li o livro. Sequer liguei pra história. Todavia, o título continuava me encarando, me perseguindo, me engolindo. O silêncio é um “mar brutal constantemente vivo”, ele é a minha cicatriz. Por mais que essas pessoas não tenham sido partes tão intensas na minha vida, eu confiei nelas. Esperei o mesmo de volta. Cultivei meu silêncio.

A perda vive em mim, ela está ali, me acompanhando. Não apenas a perda de pessoas em que eu confiava muito, mas a perda da confiança em si, a perda de certa inocência e credibilidade nas pessoas que sei que não terei mais, pelo menos, não como antes. Dizem que é assim que se amadurece. Se realmente for assim, sinto-me bem por poder dizer que, olhando pra trás, eu prefiro meu presente. Sinto-me bem por saber que encontrei lealdade em outras pessoas, e que aquilo ao que eu me agarrava não conseguiu ser mais relevante que a superficialidade com que ela me afetava. Aquilo ao que eu me agarrava não conseguiu ser mais duradouro que as cicatrizes e os silêncios de sua perda. Gosto de concordar que, o que significou um mundo pra mim, não se passa hoje de uma lembrança.

"Como Esquecer?"

Não se esquece. Mas sempre que possível, tenho outras memórias comigo. Outras que reconheço maior importância. Quando o silêncio me quebra, olho em volta e as ativo. Ativo meu presente, as pessoas que estão aqui pra mim hoje. Aí sim tenho a certeza de que nada mais importa, eu já não sou a mesma Bruna que uma vez fui há um ano atrás.

22 de out de 2010

Ausência de Palavras. Coesão entre Sentimentos.

Toda vez que me deparo com uma folha em branco, a sensação da ausência de palavras me machuca. A ausência de grandes eventos na minha vida é boa, "é tempo de descansar e me preparar pra uma vida completamente nova", blá blá blergs. Porém, se essa ausência é tão boa assim, alguém me explica o motivo pelo qual, às vezes, sinto tanto a falta da intensidade que encontro nos meus sonhos. Alguém por favor me explique por que eu posso estar numa mesa, rodeada de pessoas que adoro, e mesmo assim conseguir sentir uma perda, uma pontinha de solidão.

A ausência de palavras me remete aos meus momentos de reflexão muitas vezes causados pela minha carência de emoções que façam com que eu me sinta viva. Porém, como eu estou feliz? Por que eu me sinto bem com isso? Eu estou realmente feliz, é genuíno. Mas eu nunca explorei muito esse sentimento.

Todo dia, ao acordar, encaro minhas paredes e fico deitada sem me mexer por minutos, aproveitando o momento como se ele pudesse durar pra sempre. Sem despertador, sem cobranças. Eu posso estar parada ali, pensar no que eu quiser pensar. Eu posso fugir pra qualquer lugar, estar em qualquer lugar. Por que me faltam palavras logo agora?

Na minha listinha de coisas para fazer, uma das coisas do topo dessa é beijar alguém na chuva. Mas isso é tão imbecil. É igual a beijar alguém normalmente, só que se encharcando. Não sei. Mas eu queria. Queria também dançar na chuva, cantar na chuva, xingar alguém na chuva, nem que depois eu pegasse uma puta gripe. Ok, q, né. Na verdade, valeria a pena.

Por que eu sempre ajo assim? Por que eu me arrisco tanto achando que a consequência não é nada? Por que eu me entrego 100%, sem nenhum cuidado, já sabendo da queda?

Porque não há sensação melhor que a de se arriscar, a de dar a cara a tapas. Não tem coisa melhor que sentir uma espécie de frio na barriga. Porque eu gosto do que é errado para mim, mas parece certo. Parece tão certo, tão adequado, encaixa tão bem quanto as palavras que não conseguem sair da minha boca. Algumas malditas palavras que soam tão mal quando ditas ao vento.

Ao vento eu me entreguei e as minhas palavras foram junto. Nada mais faz sentido, não há coesão. E assim é a minha mente. Pior ainda é meu coração, que tem alguns buracos, muitas perguntas, poucas respostas e alguns poucos bons motivos pra bater acelerado.

14 de out de 2010

Espirais

“No one notices the contrast of white on white.”

Omitir opiniões é fatigante, ainda mais quando são tantas. Aprendi que, se é pra errar, que erre com vontade. Aprendi também que tudo feito sem determinação e confiança não pode ser considerado suficiente. Chega de se contentar com mediocridade causada por imposições. Limite de horário, limite de pensamento, limite de merda. Chega de pisar em ovos.

Eu acredito no amor, eu acredito na ironia, eu acredito na queda. Eu acredito em todos, mas não acredito em argumentos baseados em uma única verdade. Não acredito em destino.

Então eu limpo a poeira do parapeito da minha janela, olho pra fora com esperança de ver algumas mudanças. Não acho nada. A mudança está em mim. Sento na cama, encaro o teto, procuro respostas. Bullshit. Procuro mais perguntas. E essas perguntas fazem de mim outra pessoa, essas perguntas são melhores que qualquer resposta que você quiser me dar. O questionamento vai me fortalecendo, construindo quem eu sou.

Então eu ouço uma música que me faz levantar da minha cadeira desconfortável e tomar direção. E cada nota acelera minha pulsação. Cada estrofe me alimenta, o refrão me mata dolorosamente. Ritornello.

Ritornello, o limite não existe.

A vida é uma espiral. Ela se repete. Só que você vê os mesmos problemas em diferentes ângulos, com diferentes experiências, o que obviamente requer novas formas de resolvê-los. Ou requer simplesmente novas maneiras de empurrá-los pra frente, sem fechar o que se tornam velhos ciclos. E aí, Bruna? Fechar ou não fechar o ciclo?

1 de out de 2010

Página 285. A Câmara foi aberta.

Quero falar da Camila, a maior puat da face da terra, a minha melhor amiga, a pessoa que, além da minha família, eu mais amo, aliás, uma das poucas, é uma das maiores razões pra eu abrir o maior sorriso do mundo e saber que eu tenho algo pra me segurar firme e não largar. Não sei, mas quero falar dela. Eu tinha começado a escrever isso faz um tempinho pra ela, resolvi então terminar e postar aqui, porque ela lê esse troço, so...

Outro dia essa puat veio aqui estudar comigo. “Estudar”. Enfim, foi um dos dias mais divertidos que eu tive nesse ano e não precisamos de nada a não ser de umas 50 conversas aleatórias, umas risadas, umas caídas no chão, outra almost-erupção de coca-cola, sal no matte e dessa nossa estranha mania de falar as mesmas coisas, inclusive frases inteiras, ao mesmo tempo.

Não consigo me imaginar em outro país sem poder falar direito com ela, não consigo me imaginar não xingando ela todo dia, mandando ela pra puta que pariu, e a implorando toda hora pra me ensinar as matérias que eu, eventualmente (risos), perdi completando minhas saudáveis 8 horas de sono nas aulas de ~Artes~, entre outras. Entre muitas outras e

Quem mais iria chorar ao me ver triste? Quem mais iria me acompanhar nos meus passeios de metrô, na cabeleireira que não conheço (q), nas aulas em Botafogo, no fundo do mundo? Quem iria comigo pular no mar do Arpoador às 21h em plena quarta-feira? Quem iria gritar Champagne Supernova comigo no Reveillon e empurrar pessoas? A quem eu confiaria todos os meus ridículos segredos? E me acordar, me botar pra estudar, ser minha irmã, me escutar horas e horas no telefone a qualquer hora do dia? Montar wallpapers da Saysson comigo, cobrir meus furos, me aconselhar, me falar sempre a verdade, não me deixar viver numa ilusão, me ensinar tantas coisas, achar meus sentimentos bonitos (hahaha) e comer panquecas com mapple aos Sábados?

O mais engraçado disso tudo é que até hoje eu me lembro a primeira coisa que eu falei pra ela, em 2006. Foi tão lindo, tão rápido: “Vai tomar no cu, garota.” É. Se alguém me dissesse naquela aula de Educação Física o que essa menina se tornaria na minha vida, eu nunca acreditaria. Nosso primeiro contato foi tão intenso como a nossa amizade atual, rs.

Ela tem uma relação linda com o Gui, e eu desejo sempre tudo de bom e maravilhoso pros dois! Também tem uns apelidos escrotos dados por mim, sem contar com Shamaylla aos nossos 13 anos e um porta-CDs (que ela já deve ter dado) em forma de hambúrguer. Ela me apoiou nas minhas decisões mais difíceis, tirou as melhores fotos que eu tenho, debochou dos noobs e néins comigo (ok, nós somos podres, eu sei), fugia comigo pro Downtown eventualmente.

Shashá (RSRSRERERSRE n), você merece um troféu, vou te dar a página 285 com a mosca atéia esmagada. Eu te amo muito e você sabe o que você significa pra mim. Obrigada por tudo. Principalmente por me ensinar a enxergar através do senso comum, a quebrar meus preconceitos. A melhor coisa que nós fizemos foi ter voltado a nos falar em 2009. Como eu já te disse várias vezes: “você me ensinou a importância em fazer a diferença na vida de alguém ao fazer isso na minha”. Você sempre saca quando eu to triste, até em fotos. A única pessoa que percebe quando meu sorriso não chega aos olhos. A pessoa que me impediu de encher a cara naquele dia, quem me levou inúmeras vezes me guiando pelas ruas. Obrigada, você sempre será minha irmã, S2S2S2 pra você.

Açúcar, Canela, Sonhos e Cafeína.

Eu vagava por aí, meio que em uma espécie de solidão sensata, sem relógio, sem nada que não fosse relacionado a vestígios de lembranças de uma idealização.

Vago por aí por essas ruas escuras no meio de uma tempestade e construo minhas lembranças. Essas ruas escuras desembocam em outras e eu vou me perdendo no tempo e nos meus próprios sonhos. Sonhos, malditos sonhos... Sempre tive muitos sonhos, é inevitável me agarrar neles. Com o tempo, tô aprendendo a dosar minha vida com um pouco de realidade. Muitas vezes isso me machuca, mas eu não ligo. Retrovisores que tanto me chocavam, hoje já não me chocam mais. Essas ruas tão escuras de repente se tornam ruas claras e estreladas. Eu tenho tudo o que eu preciso do meu lado, agora.

Sempre amei extremos. No fundo, eu prefiro sofrer a não sentir nada. Hoje, porém, prefiro simplesmente vagar pelas minhas ruas estreladas e sentir o que vier. Não gosto de planejar meu trajeto, não admito que alguém tente me presentear com seus lindos globos e mapas.

Mapas, cidades, lugares, ruas e suas luzes. Tudo é tão embaçado, às vezes. Eu tenho essa estranha obsessão por aeroportos e aviões. Gosto do cheiro de canela e açúcar que eu encontro nesses tais aeroportos e do jeito que uma cidade pode ser observada às três da manhã da janela de um avião. Tudo parece tão intocável, como casinhas de bonecas que eu montava quando era pequena. Nunca pensei naquela época que meu novo hobbie seria sentar em cima de um carro às tardes vendo o pôr do sol ouvindo Jimmy Eat World e coisas do tipo. Nunca pensei que eu fosse gostar tanto de sentimentos e abstrações.

Não sei por que estou escrevendo isso tudo. Talvez seja por causa da cafeína que me deixa freneticamente pensativa e todos os meus pensamentos se embolam em uma coisa só. Talvez seja a nostalgia da música que eu tô escutando há uns 15 minutos. Talvez seja a estranha sensação das coisas estarem dando certo para mim. Porque no meio de Romeus e Julietas dormindo, cartas escondidas em uma caixinha, milkshakes às nove horas da manhã e voltas pela minha sala (q, né), eu meio que me achei. Não completamente. Mas o suficiente pra eu confiar mais nos meus instintos.

5 de set de 2010

Tchau, Jaula. TÔ FELIZ PRA CARALHO.

Olhando no meu embaçado e distorcido retrovisor, hoje, não sei nem explicar como eu tive alguma dúvida, como eu pude demorar tanto tempo para tomar alguma iniciativa que mudasse minha vida de um jeito louco, não-convencional e feliz. Ter saído de uma jaula foi o maior alívio que eu já senti, mesmo com os 14/quase 15 anos de experiência na prisão.

Há quanto tempo você não se sente leve? Quero dizer, leve, feliz, disposta, sem cansaço e rindo de tudo? Eu sei que eu não me sentia assim constantemente. Aliás, eu não me sentia assim há séculos. E ter saído da jaula para tomar outras iniciativas e finalmente seguir coisas que eu quero seguir... Amazing.

Não vou dizer que foi fácil. Meu retrovisor pode ser distorcido com tendências eufemísticas e hiperbólicas quando é conveniente e oportuno, mas nem tanto assim. Aprendi a criar bolas. Quer dizer, criar coragem. Porque eu não quero mais reclamar levantando a bandeira da hipocrisia e me conformar em ser acomodada. Decidi o que eu quero ser. Eu quero olhar pra trás um dia e ver tentativas, não frustrações.

Enfim, é isso. EU TÔ FELIZ PRA CARALHO. E meus pais não têm ideia de como eu sou grata pela oportunidade que eles tão me dando, apesar dos contras dessa iniciativa que tinha tudo pra dar errado. Mas vai dar tudo certo. Eu tô leve pra caralho. Agora eu sei o significado de weightless, for realzzz.

13 de ago de 2010

Desembarque no Portão 6

Sei lá.
Vou começar o post sendo honesta comigo mesma e com quem tá lendo. Sei lá.
Tô com febre, meio alucinada, hiperativa (com febre), feliz e triste ao mesmo tempo, preocupada e sensível a qualquer coisa.

Tive um sonho estranho hoje, onde o mundo acabava de uma forma bem idiota, janelas explodiam e pessoas eram conduzidas para um aeroporto gigante, um lugar seguro. Ok, que merda é essa, né? Começou bem trágico. Todos tentavam salvar seus bens e todos estavam morrendo, menos eu e a Camila, porque a gente se salvava o tempo todo. A sensação era a de estar correndo rápido dentro d'água e de estar presa em uma situação que não dá pra sair. Nada importava, tava tudo desabando. Foi bem triste, na verdade. Meus amigos e todas as coisas materiais do mundo se acabando.

SÓ QUE ATÉ MEUS SONHOS TÊM FINAIS FELIZES PORQUE MEUS VALORES SÃO MUITO DISNEY CHANNEL. Todos que morreram estavam no aeroporto vivos depois de um tempo, e tava tudo bem.



"Nada importava, tava tudo desabando." Mentira. Puta mentira. Porque é quando as coisas desabam que tudo começa a importar. E quanto mais eu me importo, mais desaba. Mas tá tudo bem agora. Minha vida é um aeroporto. Pode não ser seguro como o do sonho, mas sem dúvidas, é um aeroporto.

Sei lá. Tudo que eu sei agora é o que eu havia esquecido tantas vezes. Eu sou extremamente boa em seguir em frente. Não que eu não espie um pouco pelo retrovisor só pra olhar o que eu deixei pra trás, mas é que ninguém dirige só olhando pra ele. Ninguém dirige sem ele, também.

Talvez minha vida não seja o aeroporto. Talvez já tenha sido. Ok, às vezes ela é. Mas hoje, nesse segundo, minha vida é um avião.

8 de jun de 2010

Lei de Newton e Transições

"Considere um corpo não submetido à ação de forças ou submetido a um conjunto de forças de resultante nula; nesta condição esse corpo não sofre variação de velocidade. Isto significa que, se está parado, permanece parado, e se está em movimento, permanece em movimento e a sua velocidade se mantém constante."

Primeira Lei de Newton, princípio da inércia, ensinada no primeiro ano do meu Ensino Médio.

A inércia sempre fora necessária na minha vida. Considero a inércia a fase sem a qual eu nunca mudaria nada. Tomo essa como o primeiro passo dentro de uma fase mais ampla de transição.

Não tem como nada mudar se você não reconhece querer ou precisar dessa mudança em primeiro lugar.

Minha fase inercial é a fase de questionamento. Não tem como alguém levantar a bunda da cadeira pra agir sem estar sentado anteriormente. Não tem como agir sem saber que é necessária uma ação. Tenho na inércia, portanto, meu período de observação e reflexão. Tenho nessa merda de fase difícil a fase mais importante do que eu, aos poucos, vou me tornando.

Não há razão nenhuma que justifique apressar a base que sustenta uma mudança. Obviamente, a base precisa ser forte pra sustentar algo. Agora, o essencial é lembrar que existe um final, - ou um começo, whatsoever- existe algo a ser sustentado.

Uma coisa eu sei: No fundo, tudo valeu a pena.

5 de jun de 2010

Excesso de Glicose

Comer e só ligar pro molho, ler e só ligar pra ortografia, atropelar e se preocupar com o vidro do carro, zerar a prova e se xingar por não ter acertado o desafio, dizer ofensas e só se preocupar pelo excesso de palavrões, usar guarda-chuva já tendo se encharcado.

Foco no desnecessário ou no superficial?
Onde me focar, hein?
Ah, é, por favor, me passa o sal.