26 de out de 2010

Perdas

Estava prestes a assistir um filme no arteplex, quando resolvi entrar na livraria para matar o tempo. Entre alguns livros aqui e ali que me chamaram a atenção, avistei um livrinho de capa verde, intitulado de “Como Esquecer”. Como de costume, resolvi primeiro ler a orelha deste, e depois ler sua primeira frase para ver se de fato me parece algo interessante.

“A perda não é uma ausência. A perda é um mar brutal constantemente vivo, e exige forças muito além do que posso prometer.”

Essa foi a primeira frase que li. De alguma forma, essa penetrou em mim rápido. Fiquei parada e o velho e constrangedor silêncio me tomou como sempre. O silêncio constrangedor.

O silêncio?

Última cadeira da quinta fileira. Ruas lotadas. Mesas de jantar. Pista de dança. Arteplex.

Simplesmente desconectei. Pouco me importa se eu pareço uma estátua olhando pra frente encarando o ar. O lugar se esvazia e só tem eu ali. Eu e meus pensamentos.
Essa sensação se repete sempre. A sensação da solidão, um vazio rápido que vem e passa. Tudo está bem, eu estou bem. Estou feliz, mas algo me incomoda volta e meia e eu não gosto de definir esse algo.

Bom... Talvez seja estranho demais, mas eu fico irritadinha quando me perguntam sobre pessoas com as quais eu nunca mais falei. I mean, que nunca mais falaram comigo nem me procuraram faz um ano. Eu sinceramente fico irritada, e isso chega a ser um pouquinho difícil de admitir, até.

Acontece que eu não me importo de falar sobre essas pessoas, nem de fazer uma descrição detalhada delas, porém me incomodo bastante quando me perguntam a coisa mais simples do mundo: “como fulaninho (a) está?”

ESTÁ. Presente do Indicativo, terceira pessoa do singular. “Não sei. Não quero saber.” Ou não. Ou eu gostaria um pouquinho de saber. Preocupei-me com essas pessoas antes, confiei nessas pessoas. Em troca eu ganho uns momentos awkward de silêncio toda vez que me lembro delas. Ou reações ridículas quando me fazem perguntas sobre elas.

Confesso que não sinto falta dos meus ex-amigos. Os dois mais “importantes” se mostraram insignificantes (não vou mentir) com o passar do tempo. Tudo que me resta são fotografias, uma cartinha e um brinquedinho. Coisas físicas.
Na verdade, deveriam restar palavras, valores, sentimentos, mas isso é pedir demais de pessoas que parecem ter, como a Camila falou, se congelado no tempo.

Contudo, sinto um estranho tipo de interesse. Nenhum interesse em como seria a minha vida com essas pessoas a minha volta, porque eu prefiro as coisas como são hoje. O interesse de que eu falo se resume simplesmente em como eles estão. Se estão bem, se tudo está dando certo para eles, se eles estão realmente correndo atrás do que eles realmente querem. Esse tipo de coisa.

“Como Esquecer?”

Não li o livro. Sequer liguei pra história. Todavia, o título continuava me encarando, me perseguindo, me engolindo. O silêncio é um “mar brutal constantemente vivo”, ele é a minha cicatriz. Por mais que essas pessoas não tenham sido partes tão intensas na minha vida, eu confiei nelas. Esperei o mesmo de volta. Cultivei meu silêncio.

A perda vive em mim, ela está ali, me acompanhando. Não apenas a perda de pessoas em que eu confiava muito, mas a perda da confiança em si, a perda de certa inocência e credibilidade nas pessoas que sei que não terei mais, pelo menos, não como antes. Dizem que é assim que se amadurece. Se realmente for assim, sinto-me bem por poder dizer que, olhando pra trás, eu prefiro meu presente. Sinto-me bem por saber que encontrei lealdade em outras pessoas, e que aquilo ao que eu me agarrava não conseguiu ser mais relevante que a superficialidade com que ela me afetava. Aquilo ao que eu me agarrava não conseguiu ser mais duradouro que as cicatrizes e os silêncios de sua perda. Gosto de concordar que, o que significou um mundo pra mim, não se passa hoje de uma lembrança.

"Como Esquecer?"

Não se esquece. Mas sempre que possível, tenho outras memórias comigo. Outras que reconheço maior importância. Quando o silêncio me quebra, olho em volta e as ativo. Ativo meu presente, as pessoas que estão aqui pra mim hoje. Aí sim tenho a certeza de que nada mais importa, eu já não sou a mesma Bruna que uma vez fui há um ano atrás.

22 de out de 2010

Ausência de Palavras. Coesão entre Sentimentos.

Toda vez que me deparo com uma folha em branco, a sensação da ausência de palavras me machuca. A ausência de grandes eventos na minha vida é boa, "é tempo de descansar e me preparar pra uma vida completamente nova", blá blá blergs. Porém, se essa ausência é tão boa assim, alguém me explica o motivo pelo qual, às vezes, sinto tanto a falta da intensidade que encontro nos meus sonhos. Alguém por favor me explique por que eu posso estar numa mesa, rodeada de pessoas que adoro, e mesmo assim conseguir sentir uma perda, uma pontinha de solidão.

A ausência de palavras me remete aos meus momentos de reflexão muitas vezes causados pela minha carência de emoções que façam com que eu me sinta viva. Porém, como eu estou feliz? Por que eu me sinto bem com isso? Eu estou realmente feliz, é genuíno. Mas eu nunca explorei muito esse sentimento.

Todo dia, ao acordar, encaro minhas paredes e fico deitada sem me mexer por minutos, aproveitando o momento como se ele pudesse durar pra sempre. Sem despertador, sem cobranças. Eu posso estar parada ali, pensar no que eu quiser pensar. Eu posso fugir pra qualquer lugar, estar em qualquer lugar. Por que me faltam palavras logo agora?

Na minha listinha de coisas para fazer, uma das coisas do topo dessa é beijar alguém na chuva. Mas isso é tão imbecil. É igual a beijar alguém normalmente, só que se encharcando. Não sei. Mas eu queria. Queria também dançar na chuva, cantar na chuva, xingar alguém na chuva, nem que depois eu pegasse uma puta gripe. Ok, q, né. Na verdade, valeria a pena.

Por que eu sempre ajo assim? Por que eu me arrisco tanto achando que a consequência não é nada? Por que eu me entrego 100%, sem nenhum cuidado, já sabendo da queda?

Porque não há sensação melhor que a de se arriscar, a de dar a cara a tapas. Não tem coisa melhor que sentir uma espécie de frio na barriga. Porque eu gosto do que é errado para mim, mas parece certo. Parece tão certo, tão adequado, encaixa tão bem quanto as palavras que não conseguem sair da minha boca. Algumas malditas palavras que soam tão mal quando ditas ao vento.

Ao vento eu me entreguei e as minhas palavras foram junto. Nada mais faz sentido, não há coesão. E assim é a minha mente. Pior ainda é meu coração, que tem alguns buracos, muitas perguntas, poucas respostas e alguns poucos bons motivos pra bater acelerado.

14 de out de 2010

Espirais

“No one notices the contrast of white on white.”

Omitir opiniões é fatigante, ainda mais quando são tantas. Aprendi que, se é pra errar, que erre com vontade. Aprendi também que tudo feito sem determinação e confiança não pode ser considerado suficiente. Chega de se contentar com mediocridade causada por imposições. Limite de horário, limite de pensamento, limite de merda. Chega de pisar em ovos.

Eu acredito no amor, eu acredito na ironia, eu acredito na queda. Eu acredito em todos, mas não acredito em argumentos baseados em uma única verdade. Não acredito em destino.

Então eu limpo a poeira do parapeito da minha janela, olho pra fora com esperança de ver algumas mudanças. Não acho nada. A mudança está em mim. Sento na cama, encaro o teto, procuro respostas. Bullshit. Procuro mais perguntas. E essas perguntas fazem de mim outra pessoa, essas perguntas são melhores que qualquer resposta que você quiser me dar. O questionamento vai me fortalecendo, construindo quem eu sou.

Então eu ouço uma música que me faz levantar da minha cadeira desconfortável e tomar direção. E cada nota acelera minha pulsação. Cada estrofe me alimenta, o refrão me mata dolorosamente. Ritornello.

Ritornello, o limite não existe.

A vida é uma espiral. Ela se repete. Só que você vê os mesmos problemas em diferentes ângulos, com diferentes experiências, o que obviamente requer novas formas de resolvê-los. Ou requer simplesmente novas maneiras de empurrá-los pra frente, sem fechar o que se tornam velhos ciclos. E aí, Bruna? Fechar ou não fechar o ciclo?

1 de out de 2010

Página 285. A Câmara foi aberta.

Quero falar da Camila, a maior puat da face da terra, a minha melhor amiga, a pessoa que, além da minha família, eu mais amo, aliás, uma das poucas, é uma das maiores razões pra eu abrir o maior sorriso do mundo e saber que eu tenho algo pra me segurar firme e não largar. Não sei, mas quero falar dela. Eu tinha começado a escrever isso faz um tempinho pra ela, resolvi então terminar e postar aqui, porque ela lê esse troço, so...

Outro dia essa puat veio aqui estudar comigo. “Estudar”. Enfim, foi um dos dias mais divertidos que eu tive nesse ano e não precisamos de nada a não ser de umas 50 conversas aleatórias, umas risadas, umas caídas no chão, outra almost-erupção de coca-cola, sal no matte e dessa nossa estranha mania de falar as mesmas coisas, inclusive frases inteiras, ao mesmo tempo.

Não consigo me imaginar em outro país sem poder falar direito com ela, não consigo me imaginar não xingando ela todo dia, mandando ela pra puta que pariu, e a implorando toda hora pra me ensinar as matérias que eu, eventualmente (risos), perdi completando minhas saudáveis 8 horas de sono nas aulas de ~Artes~, entre outras. Entre muitas outras e

Quem mais iria chorar ao me ver triste? Quem mais iria me acompanhar nos meus passeios de metrô, na cabeleireira que não conheço (q), nas aulas em Botafogo, no fundo do mundo? Quem iria comigo pular no mar do Arpoador às 21h em plena quarta-feira? Quem iria gritar Champagne Supernova comigo no Reveillon e empurrar pessoas? A quem eu confiaria todos os meus ridículos segredos? E me acordar, me botar pra estudar, ser minha irmã, me escutar horas e horas no telefone a qualquer hora do dia? Montar wallpapers da Saysson comigo, cobrir meus furos, me aconselhar, me falar sempre a verdade, não me deixar viver numa ilusão, me ensinar tantas coisas, achar meus sentimentos bonitos (hahaha) e comer panquecas com mapple aos Sábados?

O mais engraçado disso tudo é que até hoje eu me lembro a primeira coisa que eu falei pra ela, em 2006. Foi tão lindo, tão rápido: “Vai tomar no cu, garota.” É. Se alguém me dissesse naquela aula de Educação Física o que essa menina se tornaria na minha vida, eu nunca acreditaria. Nosso primeiro contato foi tão intenso como a nossa amizade atual, rs.

Ela tem uma relação linda com o Gui, e eu desejo sempre tudo de bom e maravilhoso pros dois! Também tem uns apelidos escrotos dados por mim, sem contar com Shamaylla aos nossos 13 anos e um porta-CDs (que ela já deve ter dado) em forma de hambúrguer. Ela me apoiou nas minhas decisões mais difíceis, tirou as melhores fotos que eu tenho, debochou dos noobs e néins comigo (ok, nós somos podres, eu sei), fugia comigo pro Downtown eventualmente.

Shashá (RSRSRERERSRE n), você merece um troféu, vou te dar a página 285 com a mosca atéia esmagada. Eu te amo muito e você sabe o que você significa pra mim. Obrigada por tudo. Principalmente por me ensinar a enxergar através do senso comum, a quebrar meus preconceitos. A melhor coisa que nós fizemos foi ter voltado a nos falar em 2009. Como eu já te disse várias vezes: “você me ensinou a importância em fazer a diferença na vida de alguém ao fazer isso na minha”. Você sempre saca quando eu to triste, até em fotos. A única pessoa que percebe quando meu sorriso não chega aos olhos. A pessoa que me impediu de encher a cara naquele dia, quem me levou inúmeras vezes me guiando pelas ruas. Obrigada, você sempre será minha irmã, S2S2S2 pra você.

Açúcar, Canela, Sonhos e Cafeína.

Eu vagava por aí, meio que em uma espécie de solidão sensata, sem relógio, sem nada que não fosse relacionado a vestígios de lembranças de uma idealização.

Vago por aí por essas ruas escuras no meio de uma tempestade e construo minhas lembranças. Essas ruas escuras desembocam em outras e eu vou me perdendo no tempo e nos meus próprios sonhos. Sonhos, malditos sonhos... Sempre tive muitos sonhos, é inevitável me agarrar neles. Com o tempo, tô aprendendo a dosar minha vida com um pouco de realidade. Muitas vezes isso me machuca, mas eu não ligo. Retrovisores que tanto me chocavam, hoje já não me chocam mais. Essas ruas tão escuras de repente se tornam ruas claras e estreladas. Eu tenho tudo o que eu preciso do meu lado, agora.

Sempre amei extremos. No fundo, eu prefiro sofrer a não sentir nada. Hoje, porém, prefiro simplesmente vagar pelas minhas ruas estreladas e sentir o que vier. Não gosto de planejar meu trajeto, não admito que alguém tente me presentear com seus lindos globos e mapas.

Mapas, cidades, lugares, ruas e suas luzes. Tudo é tão embaçado, às vezes. Eu tenho essa estranha obsessão por aeroportos e aviões. Gosto do cheiro de canela e açúcar que eu encontro nesses tais aeroportos e do jeito que uma cidade pode ser observada às três da manhã da janela de um avião. Tudo parece tão intocável, como casinhas de bonecas que eu montava quando era pequena. Nunca pensei naquela época que meu novo hobbie seria sentar em cima de um carro às tardes vendo o pôr do sol ouvindo Jimmy Eat World e coisas do tipo. Nunca pensei que eu fosse gostar tanto de sentimentos e abstrações.

Não sei por que estou escrevendo isso tudo. Talvez seja por causa da cafeína que me deixa freneticamente pensativa e todos os meus pensamentos se embolam em uma coisa só. Talvez seja a nostalgia da música que eu tô escutando há uns 15 minutos. Talvez seja a estranha sensação das coisas estarem dando certo para mim. Porque no meio de Romeus e Julietas dormindo, cartas escondidas em uma caixinha, milkshakes às nove horas da manhã e voltas pela minha sala (q, né), eu meio que me achei. Não completamente. Mas o suficiente pra eu confiar mais nos meus instintos.