26 de fev de 2011

If I could be the chains, I'd fall from you and let you fly like an angel.
If I could be your pain, I'd run from you so far away.

25 de fev de 2011

Grayscale

Gosto das buzinas e das luzes vermelhas se confundindo com os meus pensamentos. Dias cinzentos têm sua beleza, quando o mesmo tom do céu se confunde com o da Lagoa, enquanto o mundo passa rápido aos meus olhos da janela do carro.

Ouço a chuva bater forte no vidro e essa é a única certeza que eu posso ter agora, a certeza de que todo evento é constituído por pequenos momentos, sendo que a maioria deles não serão lembrados por serem absolutamente desprezíveis. É bom conhecer o desprezo. É bom olhar pra cima e ver a ausência de sol que já não arde nos meus olhos. É bom não sentir meu corpo derretendo a cada batimento acelerado.

Depois de eventos marcantes, depois do ápice, o que acontece? A gente segue em frente. Não triste, nem feliz, mas em um outro estado sem nome, que esboça um futuro desconhecido, muito esperado e talvez um pouco temido. É bom desprezar. Desprezar o atrito, desprezar a resistência do ar, desprezar tudo que possa passar pela cabeça nesse momento. Tudo considerável aqui se resume a condições climáticas e a música tocando no fundo, mais nada. Nada mais importa.

Entre 8 e 80, parei em 44. Nada de risos efusivos agora, nada de lágrimas que queimam. Nada de calafrios, nada de dormir a tarde inteira, nada de chorar de alegria. Só olho pela janela e essa é a única coisa que quero/posso fazer no momento.
Amar, pra mim, pode assumir concretizações assustadoras e intensas. Não tenho medo de amar. Só tenho medo das consequências dessa concretização toda. Não me sinto, hoje em dia, tão confortável com a ideia de resumir pessoas em uma palavra só. Especialmente se essa palavra for tudo. Ou quase tudo.